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A Casa das Cores

A Casa das Cores nasce da experiência vivida nos Aprendizes com as crianças com necessidades educativas especiais, e da nossa visão de criar uma abordagem que abarcasse a totalidade dos seus seres e das suas famílias. Foram estas crianças que foram chegando que nos foram indicando o caminho.

Foi o que levou a Sofia Borges a criar Os Aprendizes e a Patrícia Domingos a criar a Arte no Reino dos Sentidos, com a visão de contribuir, de acrescentar algo, de criar um espaço seguro ao desenvolvimento das crianças.

O objectivo primeiro desta pedagogia terapêutica é respeitar estas crianças adequando os seus corpos e mentes. Esta nova abordagem resulta da necessidade de suportar e nutrir as crianças do ponto de vista interior, num espaço onde possam expressar os sentimentos da sua vida, da sua condição especial. Um espaço de liberdade adequando-as sem as deformar, permitindo que possam agir no mundo exterior (por isso mesmo apoiamos também o seu desenvolvimento físico, cognitivo, mental, de integração social, etc), mas preservando a sua verdadeira expressão, respeitando-a, dignificando-a.

 

Nesta abordagem criamos a possibilidade de todas estas crianças e familiares integrarem a imperfeição, o anormal nas suas vidas, potenciando deste modo que a cada uma destas crianças  seja um ser humano integrado e feliz. Com elas aprendemos a integrar em nós próprios a nossa imperfeição.

 

Outro objectivo desta pedagogia terapêutica é o de oferecer aos pais novas estratégias, nova compreensão face a estes casos especiais, criando espaços de apoio e de partilha entre pais potenciando a relação parental, em que existe um diálogo permanente entre pais e filhos retirando a estas crianças o peso da exclusão e isolamento familiar e social.

As crianças na Casas das Cores acompanham sempre as turmas de ensino regular, adequando-se o currículo às suas necessidades e beneficiando do apoio da equipa de ensino especial. Complementa-se o currículo académico com um currículo terapêutico que trabalhe o interior destas crianças e respectivas famílias potenciando a sua adequação e funcionalidade no mundo exterior.

 

O modelo que preconizamos para “A Casa das Cores” assenta em 3 dimensões: cognitiva, emocional/mental, e social.

Dimensão cognitiva: integrando os alunos nas turmas de ensino regular e seguindo o currículo do Ministério da Educação fazem-se as adaptações necessárias de acordo com o PEI de cada aluno, tendo como principal objectivo a sua funcionalidade. A criança será apoiada pela professora titular mas também pela equipa de ensino especial, em termos de acompanhamento individual.

 

As actividades são a Língua Portuguesa, o Estudo do Meio e a Matemática.

 

Dimensão emocional:  A Arte no Reino dos Sentidos tem uma dimensão terapêutica mediada pela arte (criação artística), e facilitada pelo terapeuta, potencializando por parte das crianças a capacidade de modificar e reorganizar processos internos podendo alterar atitudes e comportamentos no quotidiano de cada criança. E uma dimensão educativa que se espelha na aquisição de competências técnicas e artísticas, quer de técnicas do próprio processo interno. A Arte-Terapia distingue-se como método de tratamento psicológico, integrando no contexto psicoterapêutico mediadores artísticos. Tal origina uma relação terapêutica assente na interacção entre sujeito (criador), o objecto de arte (criação) e o terapeuta (receptor).

 

As actividades são a psicomotricidade, a terapia com cavalos, a pintura, a cerâmica, a carpintaria, a jardinagem, a culinária, a música e a permacultura.

 

Dimensão social: integrando os alunos nas turmas de ensino regular, pretende-se trabalhar as competências específicas de cada actividade (como a educação física, o yoga e as expressões musical, plástica e dramática)  também desenvolver competências sociais para a inclusão.

 

Com a progressão dos aluno o seu desenvolvimento será muito mais por via profissional do que académica, pelo que pretendemos  apoiá-los também em termos de autonomia transição para uma vida adulta, identificando áreas de habilidade em que se possam profissionalizar. Deste modo teremos empresas externas, nossas parceiras, que assumirão a responsabilidade do desenvolvimento profissional destas crianças.